Ao escolher um método de análise para os produtos de Inteligência Competitiva (IC) deve-se levar em consideração no mínimo quatro critérios principais:

  • Público-alvo do produto
  • Objetivo do produto
  • Periodicidade
  • Tempo de execução da análise

Existem vários métodos analíticos que podemos citar.

Entre outros…

Mas a afinal: qual método devo escolher?

Como estruturar o mosaico de produtos de Inteligência Competitiva?

Fleisher e Bensoussan desenvolveram um framework denominado FAROUT com o objetivo de auxiliar na escolha e definição dos métodos analíticos mais adequados a determinados objetivos analíticos.  Para estes pesquisadores, uma análise deve levar em consideração o tempo, o custo e a eficiência do resultado a ser entregue para a tomada de decisão.

O framework FAROUT é sustentado pela premissa de que o resultado da análise deve entregar valor para o tomador de decisão. Neste sentido, precisa atender algumas características comuns, que seriam: orientação ao futuro, precisão, eficiência de recursos, objetividade, utilidade e tempo de realização.

F= Future-oriented – orientado ao futuro;

A=Accurate – precisão;

R= Resource-efficient – recursos x eficiência;

O= Objetive – objetivo;

U= Useful – Utilidade;

T=Timely – quantidade de tempo para realizar a análise.

Na prática, o FAROUT é uma matriz, em que cada técnica analítica é pontuada em relação a cada um dos critérios citados anteriormente em uma escala de 1 a 5 (escala de 1- “baixo” a 5 – “alto”). Após a avaliação, análise e pontuação cada técnica analítica, deve se escolher os métodos mais apropriados para as necessidades do público consumidor daquele produto de IC.

A escala da matriz FAROUT
Orientação ao futuro 1= o produto final da análise não é orientado ao futuro.
5= o produto final focado em decisões para o futuro.
 
Acuracidade (precisão) 1= baixo nível de acuracidade. Possível problemas com fontes de dados. Dados não confiáveis.
5= o produto final apresenta alta precisão e assertividade.
 
Recursos x eficiência 1= a técnica requer o uso de um grande volume de dados, recursos humanos, financeiros e é pouco eficiente, com conclusões pobres.
5= o modelo é altamente eficiente no uso de recursos e na obtenção de resultados desejados a partir de poucos insumos.
 
Objetivos 1= baixo nível de objetividade com alto grau de subjetividade o que permite o avanço de vieses e inclinações pessoais.
5= a técnica permite minimizar o máximo possível os vieses, inclinações e predisposições.
 
Utilidade 1= a técnica apresenta resultados incompletos e requer análises adicionais
5= a técnica apresenta um alto valor agregado e auxilia na tomada de decisão sem requerer esforços analíticos adicionais
 
Linha do tempo analítica 1= O modelo analítico requer muito tempo para desenvolvimento e apresentação do produto final
5= A técnica prevê pouco tempo para produção de resultado

Vamos a um exemplo prático!

Técnica analítica: planejamento com cenários

O planejamento com cenários é um processo que busca identificar as forças de mudanças e mapear os futuros alternativos. Após a criação de narrativas para descrever esses possíveis futuros, se desenvolve planos de ações para lidar com estes futuros, os chamados cenários. Esse método é uma maneira de se preparar para o futuro ensaiando diversas possibilidades. No artigo “Considerações Práticas sobre Planejamento com Cenários” os autores Garvin e Levesque aprofundam esta técnica analítica.

O FAROUT para o método de Planejamento com Cenários pode ser observado na figura abaixo:

FAROUT -PLANEJAMENTO-COM-CENÁRIOS-BLOG

F: pontuação 5 (alto), uma vez que o foco é a descrição de possibilidades futuras.

A: pontuação 3 (médio), dependerá das fontes de informação usadas, pesquisas e envolvimento das pessoas. Importante ouvir especialistas, clientes, fornecedores e outros stakeholders.  Diferentemente do planejamento estratégico tradicional, o planejamento com cenários prevê múltiplas possibilidades e assim permite o desenvolvimento de planos para diversas incertezas.

R: pontuação 2 (baixo a médio), as informações dependem da empresa e dos participantes envolvidos. O processo necessita de bastante pesquisa exploratória, workshops, reuniões da alta gerência e envolvimento de vários recursos humanos, especialistas e stakeholders.

O: pontuação 3 (médio), depende da habilidade das pessoas envolvidas em analisar os cenários, descrever as narrativas e chegar a um consenso. Depende do grau de subjetividade das informações utilizadas. É muito qualitativo.

U: pontuação 4 (médio a alto), esse método é um ensaio para o futuro. Trata-se da desconstrução de incertezas e estar preparado para diversos caminhos, ou seja, visa a minimizar as incertezas.

T: pontuação 2 (baixo a médio), precisa de muito tempo para análise e desenvolvimento de cenários. Um exercício completo pode levar de 3 a 9 meses.

Diante desta análise, fica evidente que para reports de tomada de decisão em tempo curto e com pouca profundidade, o planejamento com cenários não é a ferramenta mais apropriada.

O framework FAROUT permite selecionar a ferramenta para cada necessidade tornando mais fácil e preciso o mosaico de inteligência competitiva.

E você, tem alguma dica de ferramenta analítica? Compartilhe nos comentários! 🙂